Atualização científica

Efeito da Ingesta de Proteína na Massa Corporal Ma

Sexta-feira, 16 de Março de 2018

Efeito da Ingesta de Proteína na Massa Corporal Magra em Homens Funcionalmente Limitados

Um Ensaio Clínico Randomizado

Shalender Bhasin, Caroline M. Apovian, Thomas G. Travison, et al.

Fonte: JAMA Internal Medicin. Publicado online em 12 de março de 2018.

Importância: O Instituto de Medicina sugeriu a Ingestão Diária Recomendada (IDR) de 0,8 g de proteína/kg/dia para toda a população adulta. Permanece controverso se ingesta de proteína superior à IDR é necessária para manter o anabolismo proteico em idosos.

Objetivo: Investigar se o aumento da ingesta de proteína para 1,3 g/kg/dia em homens idosos com limitações físicas e ingesta de proteína dentro do IDR melhora a massa corporal magra, performance muscular, funcionamento físico, e bem-estar, ou otimiza a resposta da massa magra a medicamento anabólico muscular.

Desenho e participantes: Este ensaio clínico randomizado com desenho 2x2 foi conduzido em centro de pesquisa. Uma estratégia de intenção de tratar modificada foi utilizada. Os participantes foram 92 homens funcionalmente limitados com 65 anos ou mais, com ingesta proteica igual ou inferior a 0,83 g/kg/dia, dentro da IDR. O primeiro participante foi randomizado em 21 de setembro de 2011, e o último participante completou o estudo em 19 de janeiro de 2017.

Intervenções: Participantes foram randomizados por 6 meses para dieta com 0,8 g de proteína/kg/dia e placebo, 1,3 g de proteína/kg/dia e placebo, 0,8 g de proteína/kg/dia e enantato de testosterona (100 mg por semana), e 1,3 g de proteína/kg/dia e testosterona. O conteúdo de energia e proteína foi fornecido através de refeições e suplementos personalizados.

Desfechos e medidas: O desfecho primário foi a mudança na massa corporal magra. Desfechos secundários foram força muscular, energia, funcionamento físico, qualidade de vida relacionada à saúde, fadiga, equilíbrio e bem-estar.

Resultados: Entre os 92 homens (idade média [desvio-padrão] 73 [5,8] anos), os 4 grupos não diferiram nas características basais. Mudanças na massa corporal magra (0,31 kg; IC95% -0,46 a 1,08 kg, P=0,43), massa magra apendicular (0,04 kg; IC95% -0,48 a 0,55 kg; p=0,89), massa magra do tronco (0,24 kg; IC95% -0,17 a 0,66 kg; P=0,24), assim como força muscular e energia, velocidade de marcha e poder de escalada, qualidade de vida relacionada à saúde, fadiga, e bem-estar, não diferiram entre os homens alocados para 0,8 vs 1,3 g de proteína/kg/peso, independentemente da alocação para placebo ou testosterona. A massa corporal gorda reduziu em participantes alocados para maior conteúdo de proteína, mas não modificou naqueles que receberam a IDR: a diferença entre os grupos foi significativa (diferença -1,12kg; IC95% -2,04 a -0,21; P=0,02).

Conclusões e relevância: A Ingesta de proteína acima da IDR não aumenta a massa corporal magra, performance muscular, funcionamento físico, medidas de bem-estar, e não otimiza a resposta anabólica à testosterona em homens idosos com função física limitada cuja ingesta proteica usual estava dentro da IDR. A IDR de proteína é suficiente para manter a massa corporal magra e o aumento da ingesta proteica além da IDR não promove acréscimo de massa magra ou de resposta anabólica à testosterona.