Atualização científica

Benefícios e riscos da terapia antirretroviral

Sexta-feira, 18 de Novembro de 2016

Benefícios e riscos da terapia antirretroviral para a prevenção da transmissão perinatal do HIV

Mary G. Fowler, Min Qin, Susan A. Fiscus, for the IMPAACT 1077BF/1077FF PROMISE Study Team

Fonte: N Engl J Med 2016; 375:1726-1737

Base teórica: Estudos randomizados sobre os riscos e benefícios da terapia antirretroviral (TARV) em comparação com zidovudina e dose única de nevirapina para prevenção da transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV) em mulheres gestantes infectadas pelo HIV com CD4 elevados estão faltando.

Métodos: Nós randomicamente alocamos mulheres infectadas pelo HIV com 14 ou mais semanas de gestação com CD4  mínimo de 350 células/mm3 para zidovudina e dose única de nevirapina mais tenofovir e emtricitabina por 1-2 semanas pós-parto (zidovudina isolada); zidovudina, lamivudina e lopinavir-ritonavir (TARV baseada em zidovudina); ou tenofovir, emtricitabina e lopinavir-ritonavir (TARV baseada em tenofovir). Os desfechos primários foram transmissão do HIV com 1 semana de idade no recém-nascido e a segurança da mãe e da criança.

Resultados: A mediana do CD4 foi de 530 células/mm3 entre as 3490 mulheres negras africanas infectadas pelo HIV com mediana de 26 semanas de gestação (intervalo interquartil, 21 a 30). A taxa de transmissão foi significativamente menor com TARV do que com zidovudina isolada (0,5% nos grupos de TARV combinada vs 1,8%; diferença -1,3%; intervalo de confiança, -2,1 a -0,4). Contudo, a taxa de eventos adversos maternos de grau 2 a 4 foi significativamente mais elevada com TARV baseada em zidovudina do que com zidovudina isolada (21,1% vs 17,3%, P=0,008), e a taxa de anormalidades séricas de grau 2 a 4  foi mais elevada com TARV baseada em tenofovir  do que com  zidovudina isolada (2,9% vs 0,8%, P=0,03). Os eventos adversos não diferiram significativamente entre os grupos de TARV (P>0,99). Peso ao nascer abaixo de 2500 g foi mais frequente no grupo TARV baseada em zidovudina do que com zidovudina isolada (23% vs 12%, P<0,001) e foi mais frequente no grupo TARV baseada em tenofovir do que com zidovudina isolada (16,9% vs 8,9%, P=0,004); parto prematuro antes de 37 semanas foi mais frequente com a TARV baseada em zidovudina do que com zidovudina isolada (20,5% vs 13,1%, P<0,001). TARV baseada em tenofovir foi associada com taxas mais elevadas do que a TARV baseada em zidovudina de parto prematuro antes de 34 semanas (6% vs 2,6%, P=0,04) e de morte infantil precoce (4,4% vs 0,6%, P=0,001), mas não houve diferença significativa entre TARV baseada em tenofovir e zidovudina isolada (P=0,10 e P=0,43). A taxa de sobrevida livre de HIV foi mais elevada entre os filhos das mães que receberam TARV baseada em zidovudina.

Conclusões: TARV pré-natal resultou em taxas mais baixas de transmissão precoce do HIV do que zidovudina isolada mas com taxas mais elevadas de eventos adversos maternos e neonatais.