Atualização científica

Stents para doença arterial coronariana

Sexta-feira, 30 de Setembro de 2016

Stents com revestimento farmacológico ou stents metálicos para doença arterial coronariana

Kaare H. Bønaa, Jan Mannsverk, Rune Wiseth, et al

Fonte: N Engl J Med 2016; 375:1242-1252

Base teórica: Poucos dados estão disponíveis sobre os efeitos dos stents contemporâneos metálicos versus stents contemporâneos com revestimento farmacológico nas taxas de mortalidade, infarto do miocárdio, revascularização repetida, trombose do stent e qualidade de vida em longo prazo.

Métodos: Nós randomicamente alocamos 9013 pacientes com doença coronariana estável ou instável para receber intervenção coronariana percutânea (PCI) com colocação de stent contemporâneo com revestimento farmacológico ou stent contemporâneo metálico. No grupo com stent farmacológico, 96% dos pacientes receberam stents revestidos com everolimus ou zotarolimus. O desfecho primário foi um composto de morte por qualquer causa e infarto agudo do miocárdio espontâneo não-fatal após uma média de 5 anos de follow-up. Desfechos secundários incluiram revascularização repetida, trombose do stent e qualidade de vida.

Resultados: Em 6 anos, as taxas do desfecho primário foram de 16,6% no grupo com stent farmacológico e de 17,1% no grupo com stent metálico (hazard ratio, 0,98; intervalo de confiança [IC95%], 0,88 a 1,09; P=0,66). Não houve diferença significativa entre os grupos nos componentes do desfecho primário. As taxas em 6 anos de revascularização repetida foram 16,5% no grupo com stent farmacológico e 19,8% no grupo com stent metálico (hazard ratio, 0,76; IC95%, 0,69 a 0,85; P<0,001); as taxas de trombose definitiva do stent foram 0,8% e 1,2%, respetivamente (P=0,0498). As medidas de qualidade de vida não diferiram significativamente entre os grupos.

Conclusões: Em pacientes submetidos a PCI, não houve diferença significativa entre aqueles que receberam stent com revestimento farmacológico e aqueles que receberam stent metálico no desfecho composto por morte por qualquer causa e infarto agudo do miocárdio espontâneo não-fatal. Taxas de revascularização repetida foram mais baixas no grupo que recebeu stent farmacológico.