Atualização científica

Associação entre níveis de LDL alcançados e evento

Segunda-feira, 11 de Julho de 2016

Associação entre níveis de LDL alcançados e eventos cardíacos adversos maiores em pacientes com doença cardíaca isquêmica estável em tratamento com estatina

Morton Leibowitz, Tomas Karpati, Chandra J. Cohen-Stavi, et al.

Fonte: JAMA Intern Med. 20 junho de 2016

Importância: Diretrizes internacionais recomendam o tratamento com estatinas para pacientes com doença isquêmica cardíaca pré-existente para prevenção de eventos cardiovasculares, mas divergem quanto ao nível de LDL a ser alcançado. Estudos nesta área são inconclusivos e faltam dados observacionais.

Objetivo: Avaliar a relação entre os níveis de LDL alcançados com o tratamento com estatina e os eventos cardiovasculares em pacientes aderentes e com doença cardíaca isquêmica pré-existente.

Desenho e participantes: Coorte observacional de base populacional de 2009 a 2013, utilizando dados de organização de cuidados em saúde em Israel com cobertura de mais de 4,3 milhões de membros. Pacientes incluídos tinham doença cardíaca isquêmica, entre 30 e 84 anos, recebiam estatina, e tinham aderência ao tratamento mínima de 80% (em análise de sensibilidade, aderência mínima de 50%). Pacientes com câncer em atividade ou anormalidades metabólicas foram excluídos.

Exposições: O LDL índice foi definido como o primeiro LDL após pelo menos 1 ano de tratamento com estatina, sendo agrupado como baixo (<70 mg/dL), moderado (70-100 mg/dL) ou alto (100-130 mg/dL).

Desfechos: Eventos cardíacos maiores incluindo infarto agudo do miocárdio, angina instável, AVE, angioplastia, cirurgia de by-pass, ou mortalidade por todas as causas. O risco de desfechos adversos foi estimado utilizando os modelos de risco proporcionais de COX 2 com LDL baixo vs moderado vs alto, com ajustes para confundidores e ainda testados utilizando análises de escore de propensão correspondente.

Resultados: A coorte com aderência mínima de 80% incluiu 31.619 pacientes, com idade média de 67,3 anos (desvio padrão de 9,8 anos). Desta população, 27% eram mulheres, 29% tinham LDL baixo, 53% moderado e 18% alto com o tratamento com estatina. No total, 9.035 pacientes tiveram um desfecho adverso no período de 1,6 anos de seguimento (6,7 por 1000 pessoas-ano). A incidência ajustada de desfechos adversos não foi diferente entre os grupos de LDL baixo e moderado (hazard ratio [HR], 1,02; intervalo de confiança de 95% [IC95%], 0,97-1,07; P=0,54), porém foi mais baixa com LDL moderado em relação ao LDL alto (HR, 0,89; IC95%, 0,84-0,94; P<0,001). Entre os 54.884 pacientes com aderência mínima de 50%, o HR ajustado foi de 1,06 (IC95%, 1,02-1,10; P=0,001) no grupo LDL baixo vs moderado, e de 0,87 (IC95%, 0,84-0,91;P=0,001) no grupo LDL moderado vs alto.

Conclusões: Pacientes com LDL entre 70 e 100 mg/dL em uso de estatinas tem menor risco de eventos cardíacos adversos comparados a aqueles com LDL entre 100 e 130 mg/dL. Não há benefício adicional em atingir níveis de LDL de 70 mg/dL ou mais baixo. Estes dados populacionais não suportam as diretrizes que recomendam níveis de LDL bastante baixos para todos os pacientes com doença cardíaca pré-existente.