Atualização científica

Efeitos vasculares pós-menopausa com estradiol

Segunda-feira, 25 de Abril de 2016

Efeitos vasculares do tratamento pós-menopausa com estradiol precoce vs tardio

Howard N. Hodis Wendy J. Mack, Victor W. Henderson, et al, for the ELITE Research Group

Fonte: N Engl J Med 2016; 374:1221-1231

Base teórica: Dados sugerem que a terapia com estrogênio é associada com efeitos benéficos em relação às doenças cardiovasculares quando o tratamento é iniciado temporalmente próximo à menopausa mas não quando o início é tardio. Contudo, a hipótese que os efeitos cardiovasculares da terapia hormonal pós-menopausa variam com o momento de início ainda não foi testada (the hormone-timing hypothesis).

Métodos: Um total de 643 mulheres pós-menopáusicas saudáveis foram estratificadas de acordo com o tempo desde a menopausa (< 6 anos = pós-menopausa precoce ou ≥ 10 anos = pós-menopausa tardia) e foram randomicamente alocadas para receber 17β-estradiol oral (1 mg ao dia, mais progesterona gel vaginal 45 mg sequencial 1x ao dia por 10 dias a cada 30 dias de ciclo, para mulheres com útero) ou placebo (mais gel vaginal placebo, para mulheres com útero). O desfecho primário foi a taxa de mudança na espessura da íntima-média da carótida (EIMC). Desfechos secundários incluíram uma avaliação da aterosclerose coronariana pela tomografia computadorizada cardíaca (TC), que foi realizada quando as participantes completaram o tratamento.

Resultados: Após uma mediana de 5 anos, o efeito do estradiol, com ou sem progesterona, na progressão da EIMC diferiu entre os grupos de pós-menopausa precoce e tardia (P=0,007 para interação). Entre as mulheres com pós-menopausa precoce no momento da randomização, a média da EIMC aumentou 0,0078 mm por ano no grupo placebo versus 0,0044 mm por ano no grupo estradiol (P=0,008). Entre as mulheres com pós-menopausa tardia no momento da randomização, as taxas de progressão da EIMC nos grupos placebo e estradiol foram similares (0,0088 e 0,0100 mm por ano, respectivamente, P=0,29). A medida do cálcio coronariano em TC, estenose total e placas não diferiram significativamente entre os grupos placebo e estradiol em nenhum dos estratos de pós-menopausa.

Conclusões: A terapia com estradiol oral foi associada com menor progressão subclínica da aterosclerose (medida pela EIMC) que o placebo quando este tratamento foi iniciado dentro de 6 anos após a menopausa, mas não quando este foi iniciado 10 anos ou mais após menopausa. O estradiol não teve nenhum efeito significativo nas medidas de aterosclerose cardíacas avaliadas pela TC em ambos os estratos de mulheres pós-menopausa.