Atualização científica

Alimentos Alergênicos em Bebês em Amamentação

Segunda-feira, 14 de Março de 2016

Estudo Randomizado Sobre a Introdução de Alimentos Alergênicos em Bebês em Amamentação

Michael R. Perkin, Kirsty Logan, Anna Tseng, et al.

Fonte: New England Journal of Medicine, 4 de março de 2016

Base Teórica: A idade na qual alimentos alergênicos devem ser introduzidos na dieta de bebês em amamentação é incerta. Nós avaliamos se a introdução precoce de alimentos alergênicos na dieta de bebês em amamentação protegeria contra o desenvolvimento de alergia alimentar.

Métodos: Nós recrutamos 1303 bebês em aleitamento exclusivo da população geral que estavam com 3 meses de idade e randomizamos para introdução precoce de 6 alimentos alergênicos (amendoim, ovo cozido, leite de vaca, gergelim, peixe branco, trigo) – grupo introdução precoce; ou para a prática recomendada no Reino Unido de aleitamento exclusivo até 6 meses de idade – grupo introdução padrão. O desfecho primário foi alergia alimentar a 1 ou mais dos 6 alimentos entre 1 e 3 anos de idade.

Resultados: Na análise por intenção de tratar, a alergia alimentar a 1 ou mais dos 6 alimentos ocorreu em 7,1% dos participantes do grupo introdução padrão (42 dos 595 participantes) e em 5,6% daqueles do grupo introdução precoce (32 dos 567) (P=0,32). Na análise por protocolo, a prevalência de qualquer alergia alimentar foi significativamente menor no grupo introdução precoce que no grupo introdução padrão (2,4% vs 7,3%, P=0,01), assim como a prevalência de alergia ao amendoim (0 vs 2,5%, P=0,003) e ao ovo (1,4% vs 5,5%, P=0,009); não houve efeito significativo para o leite, gergelim, peixe ou trigo. O consumo de 2g por semana de amendoim ou proteína do ovo (clara) foi associada com uma significativa menor prevalência destas alergias do que o consumo em menor quantidade. A introdução precoce dos 6 alimentos não foi fácil mas foi segura.

Conclusão: O estudo não demonstrou a eficácia da introdução precoce de alimentos alergênicos na análise por intenção de tratar. Análise adicional levantou a hipótese se a prevenção da alergia alimentar por meio da introdução precoce de múltiplos alimentos alergênicos não seria dose-dependente.