Atualização científica

A Influência do IMC

Quinta-feira, 05 de Setembro de 2013

O objetivo do estudo foi avaliar o impacto do índice de massa corporal (IMC) na morbidade perioperatória até 30 dias após histerectomia abdominal.
Os registros de pacientes submetidos a histerectomia abdominal do Programa Nacional de Qualificação Cirúrgica 2006-2010 foram revisados retrospectivamente. Foi utilizada regressão logística para investigar a relação entre IMC e complicações pós-operatórias.
Foram revisados dados de 9.917 pacientes, dos quais 2.219 apresentavam um IMC ideal, 2.765 apresentavam sobrepeso e 4.933 eram obesos. Ocorreram complicações em 11,3% dos procedimentos, com taxas significativamente mais altas de complicações em obesos quando comparados com pacientes com sobrepeso ou peso normal (13,2%, 9,7% e 9,0%, respectivamente, p<0,0001). As complicações cirúrgicas foram raras; no entanto, um aumento linear nas complicações ocorreu com incrementos de IMC (p<0,001). As taxas de reintervenções e complicações clínicas em geral não foram diferentes entre as coortes, embora a incidência de trombose venosa profunda (TVP) tenha sido significativamente mais elevada em obesos e em pacientes com sobrepeso (p=0,032). A razão de probabilidades (OR) ajustada mostrou que pacientes com sobrepeso e obesos apresentam um risco significativamente maior de complicações cirúrgicas (OR 1,6 e 3,0, respectivamente) e de infecções de ferida operatória (OR 1,7 e 3,0, respectivamente). Pacientes com sobrepeso apresentaram também um risco aumentado para TVPs (OR 4,6) e obesos apresentaram um risco maior para morbidade de um modo geral (OR 1,4) e deiscência de sutura (OR 3,6). 
Conclusões: Pacientes obesos e com sobrepeso apresentam risco aumentado de morbidade perioperatória em histerectomias abdominais.