Atualização científica

Campleamento do Cordão Umbilical

Quinta-feira, 18 de Julho de 2013

As políticas para clampeamento de cordão umbilical variam, com clampeamento precoce geralmente realizado nos primeiros 60 segundos após o nascimento, e clampeamento tardio mais de um minuto após o nascimento ou quando cessar a pulsação do cordão. Os benefícios e potenciais riscos de cada abordagem são discutidos

Determinar os efeitos do clampeamento precoce quando comparada com clampeamento tardio do cordão umbilical em relação a desfechos maternos e neonatais.

Foi analisado o Registro de Ensaios Clínicos Cochrane Pregnancy and Childbirth Group's Trials Register em 13 de fevereiro de 2013.

Ensaios clínicos randomizados comparando o clampeamento precoce com o tardio de cordão umbilical.

Dois revisores independentemente avaliaram a elegibilidade dos ensaios clínicos e a qualidade dos dados extraídos.

Foram incluídos 15 ensaios clínicos envolvendo um total de 3.911 pares de mulheres e recém-nascidos. Os estudos foram considerados com risco moderado de viés.

Nenhum dos estudos incluidos na revisão descrevem mortalidade ou morbidade severa materna. Não houve diferenças significativas entre clampeamento precoce ou tardio em relação aos desfechos primários de hemorragia severa pós parto (razão de risco (RR) 1,04, intervalo de confiança 95% (IC) 0,65 a 1,65; cinco estudos com dados de 2.066 mulheres com uma taxa de eventos em clampeamento tardio (LCER) de3.5%, I2 0%) ou para hemorragia pós parto de 500 mL ou mais (RR 1,17 IC 95%0,94 a 1.44; cinco estudos , 2.260 mulheres com um LCER de 12%, I2 0%). Não houve diferenças significativas entre os subgrupos de uso de drogas uterotônicas. A perda média de sangue foi descrita em somente dois estudos com dados de 1.345 mulheres, sem diferença significativa vista entre grupos; ou para valores de hemoglobina materna (diferença média (MD) -0,12 g/dL; IC 95%  -0,30 a 0,06, I2 0%) 24 a 72 horas após o nascimento em três estudos.

Não houve diferença significativa entre o clampeamento tardio e precoce nos desfechos primários de mortalidade neonatal (RR 0,37, IC 95% 0,04 a 3,41, dois estudos, dois estudos, 381 recém nascidos com um LCER de 1%), ou para a maioria dos desfechos de morbidade neonatal, como escore de Apgar menor que sete aos 5 minutos ou admissão em unidade de terapia intensiva. O peso médio de nascimento foi significativamente maior no clampeamento tardio quando comparado com clampeamento precoce (101 g maior IC 95% 45 a 157, modelo de efeitos randômicos, 12 estudos, 3.139 recém nascidos, I2 62%). Um menor numero de recém nascidos no grupo de clampeamento precoce necessitou fototerapia por icterícia em relação ao grupo de clampeamento tardio (RR 0,62, IC 95% 0,41 a 0,96, dados de sete estudos, 2.324 recem nascidos com um LCER de 4,36%, I2 0%). A concentração de hemoglobina de recém nascidos em 24 e 48 horas foi significativamente mais baixa no grupo de clampeamento precoce do cordão (MD -1,49 g/dL, IC 95%  -1,78 a -1,21; 884 recém nascidos, I259%).

A diferença na concentração de hemoglobina não foi detectada em avaliações subsequentes. No entanto, as melhoras nos estoques de ferro parecem persistir, com recém nascidos no grupo de clampeamento precoce duas vezes mais frequentemente apresentando deficiência de ferro aos 3 a 6 meses quando comparados com recém nascidos cujo clampeamento foi tardio (RR 2,65 IC 95% 1,04 a 6,73, cinco estudos, 1.152 recém nascidos, I2 82%). No único estudo que descreve desfechos de desenvolvimento neurológico de longo prazo, nenhuma diferença foi detectada entre clampeamento tardio ou precoce.

Uma abordagem mais liberal com retardo do clampeamento do cordão umbilical em recém nascidos saudáveis parece ser recomendável, especialmente tendo em vista a crescente evidencia de que o clampeamento tardio aumenta a concentração de hemoglobina precoce e os estoques de ferro do recém nascido. O clampeamento tardio do cordão provavelmente seja benéfico desde que o acesso a tratamento de icterícia por fototerapia esteja disponível.