Atualização científica

Os Riscos do Rastreamento de Doenças

Terça-feira, 13 de Março de 2012

O que poderia estar errado com o rastreamento, especialmente se o procedimento detecta doenças graves em um estágio precoce? Os estudos mostram que a detecção precoce de câncer de mama, colorretal e outros pode reduzir as taxas de mortalidade.

A primeira vista parece que somente preocupações econômicas poderiam explicar a recomendação contra a aplicação maciça do rastreamento. Então vidas estão sendo ameaçadas por questões financeiras?

Mas o custo financeiro raramente é a razão declarada pelas diretrizes para limitar o rastreamento. A maioria das controvérsias a respeito do rastreamento giram em torno do equilíbrio entre riscos e benefíios em potencial. O rastreamento pode provocar complicações iatrogênicas (ex: perfuração com colonoscopia), ansiedade e uma sequência de novos testes e tratamentos; pode precipitar excesso de diagnósticos, com investigação e tratamento de condições que são classificadas como doenças mas que oferecem pequenos riscos à saúde do indivíduo.

A preocupação com os riscos do rastreamento não é exagerada. Por exemplo, quando um teste com 90% de sensibilidade e 96% de especificidade (melhor do que a maioria dos exames de rastreamento) é usado para rastrear uma doença com prevalência de 0,6% (típica de alguns cânceres), cerca de 88% de seus resultados anormais são falsos-positivo; ou seja, para cada 1000 pacientes rastreados somente 6 são realmente portadores da doença, enquanto 40 indivíduos recebem um resultado falso-positivo. Essas proporções podem ser aceitáveis se os benefícios obtidos pelos seis pacientes sobrepujam os riscos a que foram expostos os 1000 pacientes que sofreram rastreamento. Mas e se existe pouca evidência de que a detecção precoce melhore o prognóstico?    

As controvérsias envolvem especialmente a mamografia de rotina para mulheres entre 40 e 49 anos e o rastreamento de câncer de próstata por PSA. O rastreamento de câncer de colo de útero por exame de Papanicolau incontestavelmente salva vidas, mas o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas acredita que seus benefícios não sejam comprometidos com a aplicação menos frequente e recomenda que seu uso seja iniciado somente aos 21 anos de idade e aconselha aumentar o intervalo entre os testes de um para dois anos. A maioria das diretrizes concorda em relação aos benefícios do exame de sangue oculto nas fezes, sigmoidoscopia e colonoscopia para rastreamento de câncer colorretal, mas existem controvérsias em relação ao teste de DNA fecal e a colonografia por tomografia computadorizada (colonoscopia virtual).

Rastrear ou não com exames ou em situações em que os benefícios não estão claramente estabelecidos deve ser uma decisão conjunta entre o médico e o paciente, pesando todos os riscos e benefícios em potencial do rastreamento.